segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Então queres ser um escritor?

então queres ser um escritor?

(Tradução: Manuel A. Domingos)
se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.
se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.
se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.
não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-
— devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.
quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.
não há outra alternativa.
e nunca houve.
(Charles Bukowski)     






 Escrever é algo extremamente gostoso, que provavelmente só entende quem é viciado na escrita. Já fui viciada na escrita e um das coisas mais legais é quando escrevia justamente sobre esse vício. Agora estou enferrujada e faz uns bons anos que não me dedico a esse ofício mais, mas na época não importava sobre o que eu escrevesse ou quem leria ou não, era apenas algo gostoso de se fazer para passar o tempo e deixar as ideias impressas em algum lugar. Ás vezes batia um medo das ideias nunca mais voltarem a cabeça de novo e que algo importante pudesse ficar pra sempre perdido em alguma gaveta da memória. E ai imagina só, nunca sairia mais aquele livro impressionante que um dia você pensou em escrever ou pior, poderia esquecer um dia importante qualquer, qualquer pra você hoje, mas que naquele dia parecia um dos mais importantes da sua vida. Como saber, se você não lembra mais né? Então eu escrevia em um diário, porque queria lembrar das páginas da minha vida, queria poder voltar pra ver tudo que havia feito que tinha dado um peso grande. Queria poder analisar mais tarde e pensar: "não acredito que fiz isso" ou "como eu era foda naquela época" ou "que besta que eu fui". Seria algo assim bem cheia de julgamentos do seu "eu" de hoje, para o seu "eu" passado. Quem nunca teve um diário não sabe como é. Nem era preciso escrever todo dia, só os acontecimento dignos de nota mesmo. De resto poderiam ser bobagens, algo como poemas, frases de livros, frases de filmes, não importava, o que importava era reter aquelas ideias incríveis em algum lugar. 
   Faz muitos anos desde que folheie um desses diários antigos, quem sabe um dia desses não pego um ano qualquer e começo a ler e vejo se esqueci pra trás alguma parte de mim importante que se perdeu ou algum sonho grandioso esquecido. Acho que seria o máximo, ou do tédio ou da descoberta.


Quando nada faz sentido ou quando tudo faz sentido


Esperemos

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.
(Pablo Neruda)

    Acho que na verdade essa postagem deveria se chamar "Decepções" já que descreve bem o momento. Apesar disso, nunca me achei uma pessoa que se decepcionasse fácil com as coisas e as pessoas, porque cresci com minha mãe se lamentando o tanto que se decepcionava com as pessoas e na verdade comecei a analisar isso desde cedo e via que o grande problema era esperar que as coisas funcionassem como ela previa. Descobri que as coisas e as pessoas, o mundo num geral não funciona de acordo com o nosso roteiro que criamos em nossa cabeça. Na verdade a vida não tem roteiro, uma grande surpresa! A vida nos leva por caminhos que não esperamos e não imaginamos e quando olhamos para trás, já não conseguimos mais nem nos ver como as pessoas que já fomos um dia. Todo dia somos uma nova pessoa e não sentimos nem um pouco essa perda, mas quando resolvemos fazer uma análise de nossos sonhos no passado, do que imaginávamos que seria a nossa vida hoje, é que percebemos como os rumos que esperávamos tomar em algum momento se desviou em nosso percurso normal pela vida. Ás vezes ficamos tristes por isso, pois lembramos das nossas perdas, sentimos falta daqueles que ficaram pra trás e algumas vezes nos sentimos orgulhosos por chegar onde chegamos. Mas na verdade, nada disso importa, pois tudo é passageiro na vida e não importa o quanto tentemos permanecer os mesmos ou guardar pessoas conosco, tudo sempre passa. O budismo me ensinou isso, mas foi algo que nunca consegui aprender, a me desapegar, a aceitar a inevitabilidade irracional da vida, nunca consegui na prática, só na intenção. E nesse caso a intenção não vale de nada, ela fica no ar, como um projeto grandioso mental, que nunca chegou a ir para o papel. É aquele plano incrível que você tem de enriquecer, mas que nunca tentou por em prática. Eu não consigo, essa tristeza que me causa o não aceitar a mutabilidade de tudo, é o que me faz também sentir as coisas com muito mais intensidade, buscar sempre mais alguma coisa do mundo, tentar extrair verdades maiores da realidade que vivo, querer voltar nos lugares que amei, querer estar sempre com as pessoas que amo. É essa profusão de sentimentos ambíguos, amar e odiar a vida ao mesmo tempo; a solidão de estar junto; sentir uma felicidade triste; acreditar e não acreditar em Deus; tudo isso é o que me leva a esse desassossego tão incômodo, mas tão essencial para continuar vivendo.
   Mesmo tendo saído do meu roteiro original para filosofar um pouco, volto para o tema original que era "decepções". Quando penso em "decepção" , acho que me vem a cabeça a minha própria pessoa, pois acredito que "se decepcionar" é algo muito pessoal, que reside muito mais em si mesmo do que nos outros. "Se decepcionar", não é algo proporcionado pelo outro, é algo proporcionado por nós mesmos ao criar ideias de como as pessoas deveriam responder a certas situações ou deveriam agir com relação a você. Como dizia antes, o comportamento humano não é algo que possa ser previsto, simplesmente porque você acreditava que determinada pessoa agiria de tal forma em determinada situação ou porque o certo era agir de certa maneira. Minha maneira negativa de ver o ser humano (inlcuindo a mim mesma ai), que eu acredito que seja em parte realista, faz com que eu entenda que é natural para o ser humano ser em alguns momentos egoísta, ganancioso, perverso, cínico, mentiroso, falso, preconceituoso, agressivo, assim como pode ser surpreendentemente tolerante, solidário, amigo, verdadeiro, prestativo, dentre características mais. Mas dificilmente alguém poderá prever em que situações responderemos com uma dessas características. Apesar dos behavioristas (uma linha da psicologia que acreditava poder prever o comportamento humano através de experimentos em laboratório) acreditarem nisso, é fato que qualquer comportamento na vida real, sem ser condicionado de forma intencional para se chegar a um determinado resultado, não poderá ser previsto. Os tipos de personalidades humanas são tão diversos, assim como os momentos que cada pessoa está passando (seu estado emocional e físico), que não seria possível, por mais que realmente seja o que desejássemos, prever as respostas das pessoas a um determinado acontecimento. Logo, "se decepcionar", é simplesmente não entendermos que não importa quantas expectativas coloquemos no outro, ele nunca vai preenchê-las e caso esperemos o contrário, sempre nos frustraremos. E não preciso nem falar das frustrações com a própria vida, pois a natureza e o acaso são ainda mais incontroláveis e imprevisíveis.
   Fecho a minha postagem fazendo uma referência ao título de hoje: quando nada faz sentido, temos que buscar algo que dê sentido a tudo, porque só assim conseguimos responder a outra questão que é "o que estamos fazendo aqui?".

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O que aprendi com a minha viagem ao Reino Unido - Parte II

Agora vou falar um pouco sobre os lugares que fui e as minhas recomendações para ir e para com certeza fazer questão de não ir, apesar de ser apenas a minha visão sobre as coisas e algumas pessoas odiarem o que amei, ou amarem o que odiei. Uma das primeiras coisas que preciso falar é sobre o dito cujo do "London Pass" que acredito que seja um assunto controverso e alguns acham ótimo enquanto outros nem tanto. O que posso dizer desse passe é que principalmente me senti um pouco enganada com as propagandas que fazem no site, que fazem você crer que tudo é lindo e maravilhoso porque você o tem e que pulará várias filas. Gostaria de dizer que é uma farsa, porque em absolutamente nada você tem direito a algum tipo de fila especial ou o direito de passar na frente de todas as pessoas sem o passe. O que realmente acontece é que você não vai precisar entrar na fila da bilheteria, que em alguns lugares e, principalmente em algumas épocas pode ser quilométrica. Outra coisa importante é que muita coisa em Londres é gratuita, mas o passe acaba te dando direito a algumas coisas como aquele guia em áudio de forma gratuita (em alguns lugares é pago e em outros não). Mas você tem que pensar muito se vale a pena comprar o London Pass, porque dependendo do tempo que você vai ficar, é melhor você curtir as atrações gratuitas (e Londres tem muitas). O que eu recomendo é fazer uma lista das coisas que você acha que quer ir e que estão inclusas no London Pass e ver se fica mais barato comprar os ingressos por lá ou se fica mais barato o London Pass. E aviso uma coisa, você definitivamente não vai conseguir ver tudo que planeja, pois existem vários imprevistos, do tipo fila gigantes pra entrar, se perder no caminho, problemas com a linha de metrô que você ia pegar, e etc...fora o tempo que se gasta pra comer, pois nos lugares mais cheios, os locais que tem pra comer algo também ficam lotados. Eu pessoalmente me arrependi de ter comprado o London Pass, porque além de tudo tiveram atrações que eu quis voltar novamente, por não ter conseguido ver tudo em um dia e ai descobri que o passe só dá direito a ir 1 vez em cada atração. Entrando finalmente nas atrações e começando com as pagas, vamos falar do famosinho museu de cera Madame Tussauds, que todo mundo conhece ou já ouviu falar. Eu, inesperadamente, adorei o museu, mas no meu caso porque achava que o museu teria apenas "bonecos de cera" de pessoas famosas e tinha muito mais que isso. Minha amiga, por exemplo, esperava que tivessem mais e ficou um pouco decepcionada. Já eu curti o fato do museu ter uma parte muito legal dos personagens da Marvel, junto com um cinema 4D. E além disso,amei a parte da câmara dos horrores, que achei muito melhor do que diversas atrações parecidas como o "London Dungeon" e também o passeio no "black cab" (que lembra muito um daqueles carrinhos de parques de diversão do trem dos horrores)que vai contando a história da Inglaterra através de cenários e bonecos mecânicos (também com direito ao 4D,com cheiros e sons da época). E no final ainda tem uma lojinha de souvenirs e uma cafeteria. O segundo lugar pago, digno de menção é o "Tower of London" que foi justamente o lugar que não conseguimos ver inteiro, pois tinha fila dentro e fora da Torre. Inclusive, depois fui ver no site e eles estavam recomendando que as pessoas não comprassem ingressos para aquela semana, pois eles estavam mega lotados, por alguma motivo que não sei a razão. Logo, o london pass ajudou nesse passeio, pois se não tivéssemos, seríamos obrigados a enfrentar 2 filas antes de entrar e até que a fila de entrada estava andando bem rápido. O lugar em si, conta os principais acontecimentos da cidade e do país e tem várias construções dentro daqueles muros de diversas épocas. Foi palco de uma das histórias contada na obra de Shakespeare (Ricardo III)e também abrigou várias construções importantes como a Casa da Moeda,além de servir como residência para vários reis ingleses e ser o palco de algumas batalhas importantes. O Tower of London é um lugar imenso e é na verdade formando por várias construções como torres, palácios, igreja, e todos possuem uma fila específica para entrar, de tão lotado que o lugar fica. A paisagem do alto das muralhas também é incrível e é possível avistar o rio e também a Tower Bridge. Dentre as inúmeras histórias famosas, temos a de 3 das esposas de Henrique VIII que foram enforcadas a mando do mesmo. Todas elas foram mortas, simplesmente porque era a única maneira dele poder tomar outra mulher como esposas. Não vou falar de toda a história britânica que desenrolou dentro dessas muralhas ( nem conseguiria rs), pois quem tiver interesse ao visitar o local poderá comprar na lojinha deles um guia que conta muitos detalhes, ou se não for poderá acessar o site. Além disso, existem pessoas treinadas que moram dentro do local que são uma espécie de guias, que vão contando vários fatos interessantes sobre cada local. E como cada um tem liberdade para encenar e conta a história da forma que quiser, é possível até dar algumas risadas.No final já ia esquecer de mencionar uma das mais famosas figuras mundiais atualmente que é o Guy Fawkes, conhecido pela máscara com seu rosto do personagem principal em "V de Vingança" e pelo movimento Anonymous. Esta figura histórica que tentou explodir o parlamento inglês, também ficou na Tower od London como prisioneiro e ali mesmo foi torturado para entregar o nome de seus companheiros. O terceiro lugar que eu acho que não pode faltar uma visita é a Westminster Abbey, que também conta muita da história da Inglaterra e é o local onde os reis e rainhas tem sido coroados por séculos. Essa bela construção em estilo gótico, também é imensa e conta já na entrada com um guia em áudio com um percurso pré-definido para que a pessoa possa obter mais informações históricas sobre o lugar . A igreja chama a atenção principalmente pelos seus mortos, muitas pessoas famosas ali estão enterradas. Você vai encontrar no chão ou em mausoléus belamente trabalhados nomes de grandes físicos, escritores, reis e rainhas ingleses e figuras ilustres. Nomes que se destacam em minha mente agora são: Jane Austen, Darwin, Isaac Newton,Charles Dickens,Geoffrey Chaucer, Lewis Carrol e uma figura que ficou pouco tempo ali enterrado: "Oliver Cronwell", o líder da revolução republicana inglesa .A mais conhecida rainha inglesa, a rainha Elizabeth, e sua meia-irmã Blood Mary (esta última famosa pela perseguição aos protestantes em seu curto reinado) também se encontram nessa lista e seus restos mortais repousam em 2 mausoléus, ricamente trabalhados em esculturas de mármore.

Textos de exposições

Pensando um pouco esse fim de semana nas minhas férias, nos meus estudos que ficaram de lado e na minha vontade de continuar estudando história da arte e outras coisitas mais, me fez revirar meus e-mails antigos em busca dos meus antigos textos sobre exposições. Esses textos eu escrevi na época em que estava fazendo um curso no Parque Lage com a Fernanda Lopes chamado "Laboratório de pesquisa e prática de texto em arte". Toda semana tínhamos que escrever algo sobre uma exposição que escolhéssemos visitar e apresentar na aula. Vou toda semana colar um desses textos aqui, pra quem sabe despertar a curiosidade de algumas pessoas sobre arte e sobre alguns artistas específicos. Exposição “Simplesmente Doisneau” A exposição “Simplesmente Doisneau” que permanece em cartaz até o dia 17 de Junho no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), comemora o centenário de nascimento de um dos mais renomados fotógrafos franceses do século passado, Robert Doisneau (1912-1994). A curadoria fica por conta de Agnès de Gouvion Saint-Cyr, que escolheu 152 fotografias em preto-e-branco para compor a mostra, que se encontram espalhadas por quatro salas do CCJF, divididas entre doze temas. Interessante durante o percurso da mostra é observar a variedade de situações em que Doisneau procurou captar as pessoas da capital francesa, desde mulheres em vestidos de noiva até à soldados caídos no chão em posição desoladora durante a Segunda Grande Guerra. Outro ponto alto das fotografias é o semblante dos franceses retratados, pois parece que o artista consegue capturar um momento muito específico e oportuno, de forma natural e espontânea, e por um momento aqueles olhares a quem olha, parecem querer dizer algo, que ficou congelado no tempo através daquela imagem. É a vida noturna, crianças, soldados, mulheres, mendigos, pedintes, bares, restaurantes que o artista recortou no tempo, tornando-as imagens icônicas que até hoje são vendidas como souvenires em postais e calendários, como a famosa cena de beijo entre um casal ("O beijo do Hotel de Ville"), que ao nos depararmos, logo vem à mente uma espécie de dejavú que diz: já vi isso antes em algum lugar. Mas não é só um ar melancólico que enche o visitante ao se deparar com aquelas fotos de uma Paris do século passado com seus caffes, é possível identificarmos uma pitada de humor e um uma descrição detalhada de interiores da época. Em uma aparente fotomontagem, Doisneau une diversas fotografias de vários apartamentos em um mesmo edifício, algumas lado a lado (como se fossem vizinhos) e outros abaixo (representando os andares), em que podemos observar o interior de cada um deles, como se fossemos voyeurs de todos esses lares, com seus objetos próprios que dão uma certa personalidade a quem ali habita. Mais a frente nos deparamos com uma sequência de fotografias, em que em cada uma delas aparece uma pessoa diferente, mas olhando para o mesmo quadro, de uma mulher nua, que se encontra em uma vitrine do que aparenta ser uma loja ou talvez uma galeria. O que atrai o olhar nessas fotografias é como as reações divergem, desde o espanto à indiferença. Outra série de fotografias de destaque são aquelas em que retrata visitantes do Louvre observando a “Monalisa”, que apesar do status da obra a qual faz referência, as imagens e a fotografia em si não despertam muita atenção. Fechando a exposição, a última sala possui as já mencionadas sequências e algumas outras fotos de um concurso de tatuagem, que são artisticamente belas pela própria estranheza que os desenhos causam por serem um tanto quanto peculiares . Chama a atenção também o fato do artista escolher tatuagens de péssima qualidade, fazendo-nos imaginar que se fotografou de fato um concurso, escolheu retratar os perdedores. E em um telão o documentário “Robert Doisneau: Tout Simplement”, de Patrick Jeudy, de 67 minutos, que conta um pouco da vida e do trabalho do fotógrafo. Esse filme apesar de dar conta de informações que não são passadas ou não ficam claras durante a visitação, por ser muito longo, não se adequa bem ao formato de uma exposição, cansando os espectadores que se levantam antes do fim.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O que aprendi com a minha viagem no Reino Unido - Parte I

O que dizer da viagem que fiz de 20 dias de muito perrengue e estresses e deslumbres? Tanta coisa passada nesses 20 dias que daria história para muitos e muitas postagens, por isso resolvi numerá-las, assim como todas as postagens que eu resolver continuar. Começando com os perrengues e os trens, descobri na vivência que os trens no Reino Unido não eram como os filmes que eu via do Harry Potter ou as visões que eu tinha da 1º classe de trens na europa. Na minha mente era algo com ar condicionado, poltronas de luxo e confortáveis, chá sendo servido, jornal e a paisagem maravilhosa servindo de distração durante o percurso. Já a realidade, essa caiu como um balde de água fria sobre mim e ainda estou me recuperando do baque. Como eram os trens que pegávamos? Variava muito dependendo do lugar que você ia e da companhia, mas num geral todos nunca tinham muito lugar para colocar as malas e algumas vezes tínhamos que deixar a mala em pé em alguma parte do vagão, geralmente perto da porta. Moral da história, trens por lá não foram feitos pra pessoas com mais de uma bagagem pequena. Alguns que pegamos estavam bem vazios, e já outros estavam tão lotado que não conseguimos nem sentar e cheguei a passar a viagem inteira dentro de uma lata de sardinha, com pessoas suando e fedendo, e foi realmente como pegar uma daquelas lotações no Rio. Outros trens estavam vazios e sobrava muito espaço, sendo que em alguns tinha marcação de assento e você não podia sentar em todos os lugares. E as pessoas eram tão folgadas quanto aqui, vi muita gente deitada em 2 lugares e pegando o assento marcado, dai quando a pessoa chegou, teve que despertar a dita cuja do lugar. Para verem que isso não é um privilégio dos brasileiros, e varia muito mais de pessoa pra pessoa. E os trens costumam ser pontuais, mas atrasos podem ocorrer, o que nos salvou em várias das nossas viagens pra outras cidades em que ficamos por minutos de perder o trem. Passamos muito perrengue com as malas, pois tínhamos muitas malas, principalmente eu e se você não tiver tudo muito bem planejado e não sair com uma boa antecedência, corre o risco de ficar tendo que correr que nem loucos procurando em qual plataforma tem que embarcar e alguma estações são do tamanho de um shopping center! Tirando os estresses, ainda deu para passar numa lojinha do Harry Potter na estação de trem de Londres, a loja da plataforma 3/5, que tem algumas coisitas do universo de Harry Potter e que foi onde comprei minha linda coruja Edwiges.Mas pra quem quer ver mais coisa do Potter, é melhor fazer o tour da Warner, que no final te dá acesso a uma loja com tudo que você puder imaginar e quiser comprar do filme, uma maravilha pra quem não tiver medo de tirar o escorpião do bolso. Para encerrar a postagem dos trens, coloco um ponto positivo da viagem, depois de todos as críticas anteriores, que é a vista.Em alguns lugares em que passamos era realmente linda e bucólica, fazendo com que você se sentisse percorrendo um dos filmes baseados nas histórias de Jane Austen, tudo isso claro se você conseguir esquecer do cheiro de 100 mendigos que os passageiros tinham (risos), sem exageros.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Asssim tirado do nada se fez a palavra...

Se me esvaio de emoções e ideias e não as coloco logo na papel, o cérebro não se esvazia e me contorço de tanta ebulição de pensamentos aleatórios e divergentes. Me jogo sobre essa folha, meio tosca virtual que é o blog e discorro sobre a vida vazia e sem sentido. Coloco meus sentimentos aqui e transformo a folha virtual em um arco-íris de letras, palavras juntas que produzem um belo sentido pra mim que vejo essa junção de ideias. Me digo e me pergunto: Faz sentido. Faz sentido? Eu digo que não, o que na vida faz sentido?Só um tolo acredita que todas as coisas fazem um sentido ecumênico vindo de um Deus onipotente que a tudo vigia e a todos. Somos feitos de poeira do cosmo, e no entanto nossos pensamentos fluem sem que possamos vê-los ou cheirá-los ou tocá-los. O que é real então? A miséria da vida, do miserável jogado na esquina, do triste menino vazio de sonhos, de ternos carinhos? Onde se encontra a vida e onde se acaba, é na morte? Produzo coisas o tempo todo, sou um robô de mim mesma, criação de algo aleatório e provisório ou algo planejado e determinado? Todas as coisas que dou boas-vindas se esgueiram de mim, e se tornam poesia ou prosa em alguma momento da história. Tristeza me encanta, se torna pranto, com o meu espanto que é viver essa vida mais ou menos todo dia de vida. Torno tudo mais claro e me apago na estrada da vida. Vivo rindo, chorando pelos cantos, em prantos, sou assim, meio eu, meio todos, meio nada, meio tudo, vivo a cada segundo. Transformo a minha pobreza, na riqueza de letras, escrevo um texto sem sentido, pra ti, eu entendo. Entendo um pouco de tudo, e nada do mundo, das pessoas que nele vivem, entendo ainda menos. Um abraço assim me traz de volta outra recordação de um dia de sol que nunca vivi, mas que tornei verdadeira através de um texto que criei da profusão de palavras que habitam essa mente. Se encerro esse texto, não prometo que ao final farei sentido pra ti, talvez até pra mim, mas o que importa é que o teclado trouxe forma a todas essas ideias que aqui estavam comigo enquanto no trabalho eu monoteava e sentia frio.

Dos caminhos que tomamos para lugar algum

Parte I Certo dia apareceu um menino que tinha tudo o que queria, mas não estava satisfeito com as coisas que ainda não tinha. Ele olhava todas as decisões que tomou em seu passado e no entanto, todas elas pareciam tão erradas, não sabia porque as tomou naquela época. Foi pensando, perfazendo o percurso de sua longa caminhada de 30 anos de pura meninice, do espírito jovem e aventureiro que possuía. De repente, tudo clareou em sua mente, tudo fez sentido, parecia mais um quebra-cabeça que ele agora estava montando ali naquele mente ávida, profunda e transbordante. Cada uma daquelas escolhas, cada uma delas agora fazia sentido, tinha um porquê, tinha um motivo, estava tão claro. Ele olhou pra si e viu o menino-homem que ele era hoje, pensou em cada um dos amigos que levou consigo ao longo da vida e os que deixou para trás. Pensou profundamente nas decepções amorosas que teve, nos sofrimentos e nos amores e paixões que vieram junto nesse pacote de emoções. “Que delícia”, ele pensou. “Tudo tão gostoso e com gosto de começos e recomeços, tudo isso me trouxe aqui”. Aquele dia em que caiu do alto do pé de mangueira, quando tentou pegar uma manga na parte mais baixa da árvore se dependurando. Lembrou-se do tanto que sofreu com o braço engessado, o sofrimento do gesso coçando no calor, mas ai lembrou também do gostinho da manga tirada do pé, suculenta, fresquinha da hora. Como poderia ter passado por tudo na vida sem aquela manguinha? “Eu não saberia o que é comer fruta do pé.” – pensou. E aquela vez em que entregou uma florzinha para a menina do jardim de infância que achava mais legal, porque sempre dividia com ele o waffer e o refrigerante no recreio. Ela pegou a florzinha, achou linda, ficou feliz, mas depois deixou cair, sem dar a mínima importância, como se aquela florzinha não representasse todo o sentimento que por ela depositava. Era um gesto, era criança e não sabia do profundo significado que tinha, mas mesmo assim no dia, se sentiu triste e aquele foi o último dia que dividiram algo no recreio. Qual seria o significado de todas as desilusões amorosas futuras, se já não tivesse experimentado esse amor de criança, inocente e descompromissado, bobo, que a gente leva com o passar dos anos, nos côncavos da memória? Acho que teriam uma importância muito maior ou muito menor. Muito maior, porque na primeira desilusão poderia ter se afundado no desespero da perda e achar que podia ser a primeira morte, como uma gato de sete vidas. Ou poderia ser muito menor, pois por nunca ter vivido uma desilusão amorosa, não saber como lidar, não ter maturidade o suficiente pra dar a importância devida a um amor perdido e tornar aquele acontecimento algo extremamente insignificante.

 Estou lendo o livro da Mónica Ojeda, chamado Madíbula. É um livro incrível no sentido de que, mesmo eu já tendo muitas coisas que me arrepi...